Ogum (Oggún) é o indômito guerreiro da forja e da tecnologia na sagrada tradição dos Odus de Ifá. Filho de Oduduwá e irmão de Shangó, Eleggúa e Oshosi, foi o Rei de Iré. Criador das ferramentas metálicas que permitiram à humanidade lavrar a terra e construir cidades, personifica o trabalho infatigável e a abertura de caminhos na matéria.
Ogum — documentado na sagrada tradição dos Odus de Ifá sob o nome de Oggún (do Yorùbá Ògún: “Força, batalha, energia transformadora”) — é o senhor do ferro, da metalurgia, de todos os metais e ferramentas de corte, das guerras e vigia perene da humanidade. Proveniente da terra de Ileshá e aclamado como o monarca sagrado da cidade de Iré (Oniré), é filho de Oduduwá e irmão fraterno de Shangó, Oranmiyán, Oshosi, Osun e Eleggúa.
No panteão de Ifá, Oggún é o segundo dos Orixás Guerreiros (Oricha Oddé). Dono das florestas cerradas juntamente com Oshosi e dos caminhos em parceria com Eleggúa, ele personifica a força do trabalho honesto que não cessa, o avanço tecnológico que constrói sociedades e a defesa armada inexpugnável contra a opressão.
História e Mistérios nos Odus de Ifá
Nos ensinamentos sagrados dos Odus de Ifá, os feitos heróicos de Ogum são a base da civilização:
- No Odu Oggunda Meji: Narra-se o momento primordial em que a humanidade não conseguia cultivar o solo nem abrir passagens nas matas espessas. Ogum desceu com seu facão de ferro temperado no fogo, cortou a floresta virgem e ensinou os seres humanos a forjarem a enxada, a bigorna (yunque), o martelo e a faca, permitindo o nascimento da agricultura e das cidades.
- No Odu Ogbe Tua: Revela-se a grande aliança de respeito entre Ogum e Orunmilá, onde foi pactuado que todas as obras de abertura de caminhos e proteção contra feitiços bélicos contariam com a espada guardiã de Ogum.
- No Odu Osa Kuleya (Osa Oggunda) e Osa Bara: Registra-se a têmpera moral de Ogum nas batalhas, estabelecendo que a espada só deve ser empunhada para a defesa da verdade, da justiça e da subsistência digna.
- No Odu Baba Ejiogbe: É estabelecido o preceito de que toda ferramenta humana de progresso carrega a assinatura viva de Ogum.
Características das Pessoas Regidas por Ogum
Conforme descrito nos ensinamentos sagrados dos Odus de Ifá, os filhos de Oggún destacam-se pela determinação inquebrantável e capacidade de execução:
- Trabalhadores incansáveis e perseverantes — dedicam-se com paixão a trabalhos manuais, engenharias, mecânica, metalurgia, segurança, cirurgia e construções.
- Caráter direto, firme e independente — detestam falsidade e hipocrisia, expressando suas opiniões com honestidade límpida e objetiva.
- Senso inato de justiça e lealdade aos amigos — defendem com vigor seus protegidos, sendo leais até as últimas consequências.
- Temperamento forte e resoluto — não temem desafios difíceis e reagem com firmeza quando provocados ou diante de injustiças flagrantes.
- Espírito pioneiro — abrem caminhos onde outros hesitam, criando oportunidades pelo próprio esforço.
Elementos, Ferramentas e Oferendas Sagradas (Adimu)
- Cores e Números Vibratórios: Seu número sagrado é o 3 e seus múltiplos (e o 7). Suas cores tradicionais de vibração são o verde e preto (ou verde e roxo). Seus elekes tradicionais intercalam contas verdes e pretas em padrões de 3 em 3 ou 7 em 7.
- Fala no Oráculo: Comunica-se no diloggún principalmente através de Oggundá (3).
- Atributos e Receptáculo: Conforme a tradição sagrada de Ifá, seu receptáculo litúrgico é um caldeirão de ferro fundido de 3 pés (caldero de hierro). Suas ferramentas fundamentais forjadas em metal maciço incluem o facão (machete), bigorna (yunque), martelo, pá, picareta, rastelo, barra de ferro (barreta), corrente de ferro pesada, fole, ferraduras, cravos de linha de trem, lança e uma otá triangular e densa recolhida no monte, na ferrovia ou mina.
- Alimentos e Oferendas (Adimu): Carne bovina fresca ou assada untada com bastante azeite de dendê (epó), milho torrado (agbadó), aguardente de cana (otí), tabaco e charuto (achá), inhame assado com dendê, mel de abelhas (oiñi), melão fresco, bode (owunko), galo (akukó), frangos jovens, pombas (eyelé) e jutía defumada.
- Ervas Sagradas (Ewé): Abre-caminho, rompesaragüey, pata de galinha, erva-fina, moruro, ébano carbonero, folhas de aguacate, guamá, caña santa, peregun verde e guiné.
- Rezo Litúrgico Tradicional:
“Oggún Aguanilé, agbedebeyo. Amakána ke Awan Aché. Oricha Oké oko. Moforibalé Oggún. ¡Oggún Kobú Kobú, Aguanilé!”
- Caminhos de Oggún: Areré, Onilé (Oniré), Echibirikí, Alagüedé, Oké, Odé, Aguanilé, Valenyé, Afanamulé, Ñako Ñiko, Ogumbí, Aladá, Kobú Kobú, Niké, Toyé, Deí, Laiké e Arokó.
- Dia de Força e Atendimento: Cultue Ogum às terças-feiras pela manhã.
- Oferenda de Vigor e Abertura: Sirva um pedaço de carne bovina ou inhame assado untado com azeite de dendê e milho torrado diante de seu caldeirão ou em local limpo junto ao solo, acendendo uma vela verde ou vermelha.
- Prece de Coragem e Trabalho: Saudando com ¡Oggún Kobú Kobú, Aguanilé!, borrife alguns tragos de aguardente e fumaça de charuto, rogando vigor para trabalhar, superação de obstáculos pesados e vitória justa em seus empreendimentos.
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