Oxum (Oshún / Ochún) é a doce e majestosa rainha das águas doces e do ouro na sagrada tradição dos Odus de Ifá. Salvou a humanidade da grande seca ao voar até o palácio de Olofi na forma da ave sagrada Ibú Kolé. Portadora do leque dourado (Abebé) e do espelho de cristal, personifica a fertilidade, a persuasão inteligente e a prosperidade material.
Oxum — documentada na sagrada tradição dos Odus de Ifá sob os nomes de Oshún e Ochún (do Yorùbá Ọ̀ṣun: “A fonte perene das águas doces da vida”) — é a soberana do Rio Oshún, senhora do amor, da sensualidade nobre, da fertilidade no ventre e na mente, do cobre e do ouro. Nascida na célebre cidade de Osogbo (Osun Gbogbo), ela é a advogada suprema que conquistou a voz das mulheres nas assembleias dos Orixás.
Na teologia sagrada de Ifá, Oxum é filha de Obatalá e Yemajá e irmã de Oyá e Obbá. Esposa e consorte de grandes deidades como Orunmilá, Ogum, Oshosi (com quem teve Logun Ede) e Shangó (com quem gerou os gêmeos sagrados Ibeyis). Conquistou a imortalidade cósmica ao resgatar o mundo da devastação total ao transformar-se na ave de perseverança (Ibú Kolé) e levar a súplica dos homens aos céus de Olofi.
História e Mistérios nos Odus de Ifá
Nos relatos sagrados dos Odus de Ifá, os prodígios de Oxum são universais:
- No Odu Oshe Meji e Obara Meji: Narra-se o grandioso caminho de Ibú Kolé. Quando uma seca severa castigava o planeta após uma contenda cósmica e nenhuma divindade conseguia chegar ao palácio de Olofi no Orun, Oxum transformou-se no pássaro sagrado da perseverança (aura tiñosa), voou através das tempestades até os céus e apresentou a prece da humanidade a Olofi, que comovido restaurou a chuva fértil sobre a terra.
- No Odu Ogbe Tuanilara e Okana Di: Registra-se como Oxum conquistou seu lugar de fala supremo perante as assembleias divinas, estabelecendo o preceito de que nenhum plano humano pode frutificar sem o respeito à energia conciliadora feminina.
- No Odu Oyeku Biroso: Revela-se como a doçura e a inteligência de Oxum resgataram Ogum da floresta sombria através do canto suave e do mel dourado, devolvendo o ferreiro sagrado à convivência social e reativando o progresso.
Características das Pessoas Regidas por Oxum
Conforme descrito nos ensinamentos sagrados dos Odus de Ifá, as filhas e filhos de Oshún destacam-se pelo carisma refinado e diplomacia envolvente:
- Graça, beleza e bom gosto estético — apreciam joias finas, perfumes marcantes, roupas elegantes e ambientes limpos e perfumados.
- Diplomacia afetuosa e persuasão suave — alcançam grandes objetivos através do diálogo doce e inteligente, evitando conflitos grosseiros.
- Faro para a prosperidade e comércio — possuem talento nato para administração de recursos, finanças e multiplicação de patrimônio.
- Sensibilidade empática maternal — acolhem os necessitados com doçura e compaixão consoladora.
- Firmeza interior inabalável — por trás da meiguice aparente guardam determinação férrea e não se dobram a injustiças.
Elementos, Ferramentas e Oferendas Sagradas (Adimu)
- Cores e Números Vibratórios: Seu número sagrado é o 5 e seus múltiplos. Suas cores são o amarelo-ouro, âmbar, dourado e coral. Seus elekes tradicionais são confeccionados com contas amarelo-ouro transparentes intercaladas com contas âmbar e coral.
- Fala no Oráculo: Comunica-se no diloggún principalmente através de Oshé (5), Obbara (6) e Eyeunle (8).
- Atributos e Receptáculo: Seu receptáculo litúrgico é uma sopeira de louça amarela ou dourada com água pura de rio. Seus atributos fundamentais incluem o leque dourado com espelho (Abebé), 5 braceletes de latão/ouro (manillas), 5 otás amarelas ou douradas de rio, sineta dourada (agogô), pente de tartaruga, 2 remos de latão, coroa com 5 pontas e 16 búzios abertos.
- Alimentos e Oferendas (Adimu): Ochinchin legítimo (refogado fino de camarões secos e frescos, acelga fresca, ovos cozidos picados, cebola e azeite de dendê), mel de abelhas puríssimo (oiñi), bolas de farinha de milho com mel (palanquetas de gofio con miel), doce de abóbora amarela, laranjas doces cortadas em 5 partes com canela, chiva jovem, galinhas amarelas (adié aperí), pombas (eyelé) e codornas (akuaro).
- Ervas Sagradas (Ewé): Macassá, botão-de-ouro, alfazema, oriri, folha-de-louro, manjericão doce, lírio-amarelo, folha-da-costa, canutillo amarelo e peregun.
- Rezo Litúrgico Tradicional:
“Oshún iwá Iyá mío, Iwá Iyá mimó, Ni kó bosí niwassi Iyá mimó, Yaloddé oguidó abbadá badé womí malé kikirigó kedé tuché ni ekuelé kuelé. ¡Ashé Oshún! ¡Yalodé Yeyé Kari!”
- Caminhos de Oshún: Yeyé Moró (Yeyé Kari), Kayodé, Miwá, Aña, Yumú (Gumí / Bomó), Sekesé, Akuará (Ibú), Fumiké, Ololodí, Funké, Edé, Niwé, Ibú Kolé (Kolé kolé / Ikolé) e Awé.
- Dia de Brilho e Beleza: Cultue Oxum aos sábados pela manhã, preferencialmente à beira de um rio limpo ou diante de seu assentamento.
- Oferenda de Doçura e Ouro (Adimu): Ofereça um prato com Ochinchin fresco de camarões e acelga ou 5 laranjas doces regadas com mel puro e canela em pó, acendendo uma vela amarela ou dourada.
- Prece de Fartura e Amor Sagrado: Saudando com ¡Yalodé Yeyé Kari!, rogue doçura para os seus relacionamentos, fartura financeira e estabilidade no lar, fertilidade em seus projetos e beleza em sua vida.
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